24 de junho de 2011

Pelo menos terminaremos ''bem''...

''Mas se eu tivesse ficado, teria sido diferente? Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais -por que ir em frente? Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia –qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido.'' (Caio Fernando Abreu)

Essa compulsão de emoções só me deixam cada vez mais confusa. Um dia é tudo maravilhoso, parece que tudo foi perfeitamento projetado para dar certo e enfeitar cada instante. Outro, tudo é tão escuro que chega a queimar minha mente, essa minha rispidez e estupidez acabam deixando tudo tão ridículo.
E foi assim que resolvi por fim nisso tudo. Ultrapassamos tantas coisas que não eram necessárias ultrapassar, o nosso amor não merecia essas loucuras onde sempre eu tive que fugir das verdades. Contentar-me-ei do perfume impregnado em minha blusa de lã, com as conversas longas numa noite, e com tantas outras memórias que tenho.
Por medo do que acontecerá, digo ''adeus'' com segurança. Não espero que você entenda, até porque eu demorei para entender.
Um dia você entenderá.
Chamaria de covardia, loucura, medo. Eu só esqueci que não fui feita pra viver num mundo de sonhos, onde sempre acaba tudo bem, meu destino é ser incerta e dar fim sempre ao que não teve começo.

9 de junho de 2011

O errado que deu certo.

Foi num lugar comum e cotidiano. Bárbara estava pronta para ir à casa dos pais em outro bairro. Assim como Felipe, um desconhecido que voltava no mesmo dia com alguns amigos. Entre conversas paralelas, assuntos aleatórios e até desinteressantes, os dois estiveram presentes na mesma roda de conhecidos. Invisíveis um para o outro, não passando apenas do ''amigo de um amigo'', as definições limitavam-se em gestos, até então, abstratos. Fosse um olhar despercebido ou um jeito de sorrir. Após certo tempo, a frequência de idas e vindas tornavam-se maiores e a afinidade foi aumentando aos poucos. Felipe sabia como envolver. Ou talvez, só Bárbara soubesse. O ano termina, o namoro de Felipe também. Depois disso, tudo muda. As rotinas, as conversas, os sentimentos. As vontades, indecisões, inseguranças. Ah, se só a insegurança fosse problema...Bárbara volta a se envolver com a pessoa errada...Enquanto isso, Felipe estava lá, só observando. Depois de um curto tempo, chega ao fim o que erroneamente foi denominado ''relacionamento''. A maturidade, as vivências extremamente diferentes, o tempo, a pressa, e acreditar no ''destino'' fizeram do começo, um fim. Culpando os estudos por tudo, quando na verdade, tinha medo do possível sentimento que floresceria. E foi necessário outro em sua vida, para perceber que a pessoa certa, esteve ao seu lado por meses. Talvez Bárbara soubesse, mas não conseguia esquecer de palavras ditas nas horas erradas, ou mal entendidas...Felipe não era muito de se declarar, sempre disse o que realmente sentia. Seu jeito observador, tranquilo e fofo, confundiam tudo. Ninguém é perfeito. E quando Bárbara para pra pensar, teve que decidir onde errou e onde poderia acertar. Deixando o passado de lado, o cara impulsivo e correto, pensou quem te fazia feliz. Escolha certa. Repercussão nem tão boa assim. Bobagens ditas daqui, ''verdades'' dali, e assim foi seguindo. Até que, finalmente, Bárbara e Felipe têm o caminho livre. E como foi bom sentir aquele friozinho na barriga antes de dizer ''oi'', os calafrios e os abraços. É, o que faz a diferença é a forma como tudo acontece...E não como você quer que aconteça. Por mais que seja difícil falar dele, ou melhor, senti-lo, o amor é complicado e merece segurança. Enquanto Bárbara supera seu medo , Felipe sabe o que fazer, na hora certa.