16 de outubro de 2011

Lembranças

Um rosto no espelho, cabelo grisalho. Já não era o mesmo garoto jovem e disposta de anos atrás. E por instantes quis ficar ali, penando na morte que se aproximava e lembrando de Esmeralda.
O cabelo ruivo de uma amante, selvagem, traiçoeira, promissor. Uma paixão aos 23 anos, um casamento conturbado, com Júlia, sua falecida esposa.
Ele, sonhava em continuar os estudar e conseguir terminar sua faculdade. Esmeralda, sonhava em viver da dança, e como ficava bem nos palcos por aí. Viajou o mundo, algumas vezes, acompanhada de Rafael.
Ah! Como queria voltar no tempo e sentir aquela adrenalina dos beijos e abraços nos cantos dos bares ou até mesmo após aulas chatas da faculdade, colocar outro nome na agenda do celular, dizer que era ''um amigo enchendo o saco''.
Tudo era tão bom, até deixá-la chorando na porta da igreja quando ouviu o ''sim'' de Rafael ao casar-se com Júlia.
O que havia acontecido com toda paixão que havia entre os dois? Foi a partir desse dia, que Esmeralda resolveu seguir sua vida, cada vez mais sozinha. Se empenhou, e ainda mora no exterior.
Então, suas lembranças oscilavam entre alegria e tristeza. Sabia que tinha vivido dias bons, aliás, muito bons. E também sabia que estava sozinho e tudo não passava de lembranças para um velho em frente ao espelho.
Se pudesse voltar no tempo, teria escolhido viver com Esmeralda, não que ela fosse o sonho de seus pais, ou fosse a opção mais correta para ter uma vida bem sucedida. Porém, hoje, ele viveria feliz, e não se arrependeria de não ter deixado o amor atuar...

4 de outubro de 2011

Belíssimo *-*

“Lá está ela, mais uma vez. Não sei, não vou saber, não dá pra entender como ela não se cansa disso. Sabe que tudo acontece como um jogo, se é de azar ou de sorte, não dá pra prever. Ou melhor, até se pode prever, mas ela dispensa.
Acredito que essa moça, no fundo gosta dessas coisas. De se apaixonar, de se jogar num rio onde ela não sabe se consegue nadar. Ela não desiste e leva bóias. E se ela se afogar, se recupera.
Estranho e que ela já apanhou demais da vida. Essa moça tem relacionamentos estranhos, acho que ela está condicionada a ser uma pessoa substituta. E quem não é?
A gente sempre acha que é especial na vida de alguém, mas o que te garante que você não está somente servindo pra tapar buracos, servindo de curativo pras feridas antigas?
A moça…ela muito amou, ama, amará, e muito se machuca também. Porque amar também é isso, não? Dar o seu melhor pra curar outra pessoa de todos os golpes, até que ela fique bem e te deixe pra trás, fraco e sangrando. Daí você espera por alguém que venha te curar.
Às vezes esse alguém aparece, outras vezes, não. E pra ela? Por quem ela espera?
E assim, aos poucos, ela se esquece dos socos, pontapés, golpes baixos que a vida lhe deu, lhe dará.
A moça – que não era Capitu, mas também têm olhos de ressaca – levanta e segue em frente.
Não por ser forte, e sim pelo contrário… Por saber que é fraca o bastante para não conseguir ter ódio no seu coração, na sua alma, na sua essência. E ama, sabendo que vai chorar muitas vezes ainda. Afinal, foi chorando que ela, você e todos os outros, vieram ao mundo.”
Caio Fernando de Abreu